Meu Exu é mais forte que o seu
Você concorda?
Primeiro que Exu não é seu, ele te acompanha quando você merece. Segundo que esta afirmação é, muitas vezes, uma provocação alimentada pelo ego.
Se você só leu o título e veio só me xingar, pode ir embora.
É claro que não existe exu mais forte que o outro e sim especialista em determinado campo de força. Embora toda entidade possua a potência intrínseca para atuar na comunicação, na magia e na vida, elas se organizam em agrupamentos com ferramentas específicas para diferentes campos de atuação.
Imagine a medicina: todo médico possui a base de clínico geral, mas o especialista detém uma gama maior de ferramentas técnicas para intervenções profundas. Na Quimbanda, a eficácia reside em acionar a força certa para o campo correto:
Exu Xoroquê: O dono da porteira; especialista em caçar, rastrear e defender o território sagrado contra invasões, operando completamente fora da moralidade cristã.
Pombogira Sete Buracos: Atua nos reinos cruzados para curar feridas espirituais densas e libertar o indivíduo de amarras e prisões profundas.
Pombogira Cigana: Especialista na liberdade dos caminhos e na arte da negociação; sua força reside no movimento, no comércio e na capacidade de encontrar saídas onde há estagnação.
Exu Quebra Galho: Mestre em romper obstáculos imediatos e prover táticas de sobrevivência nas “matas” da existência, facilitando a passagem em situações de emergência.
Para identificar qual especialista deverá ser evocado, o oráculo é indispensável. Ele é a voz da ancestralidade que corta as receitas de bolo encontradas por aí e indica o caminho real. A Quimbanda não oferece atalhos, mas entrega uma pá e ensina a cavar o próprio caminho. Como ato de resistência cultural e política, cultuar Exu é preservar a memória negra e indígena contra o “epistemicídio” colonizador. Exu e Pombogira mostram a direção, mas o caminhar é responsabilidade sua.





